Uma vida dedicada a construir

A palestra de Porto Seguro!

 (CARLOS CASAES E CARLA MARIA)

Em certo momento, eu tive o privilégio de ser convidado para proferir uma palestra num evento promovido pela FEBTur, por intermédio dos queridos jornalistas e amigos GORGÔNIO LOUREIRO e BENÉ AMORIM Evidentemente que lhes adverti de que eu, pela condição histórica de ter sido o idealizador, bem assim na condição de realizador da fundação da ABRAJET – Nacional (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo), não me havia dissociado daquela entidade. Razão pela qual tinha o cuidado de os advertir naquele sentido, pois se tratava de uma outra organização perfilando nos mesmos limites.

Conquanto aquela minha advertência, os companheiros não renunciaram à minha presença no evento, que havia sido programado para ocorrer na bela e importante cidade baiana de Porto Seguro. E mantiveram o convite, mais que isto, inclusão da minha presença com o objetivo de que eu relatasse sobre o meu histórico, tanto na atividade jornalística em si, como pelo engajamento no setor do turismo baiano e nacional.

Limitação do tempo

No momento oportuno em que questionei sobre o tempo que me seria destinado – considerando uma longa vida dedicada a “construir” -  fui esclarecido de que seriam tão somente 30 minutos. Conquanto eu houvesse contestado de que me estariam destinando um espaço de tempo muito exíguo porquanto – embora, claro, tivesse que simplificar a manifestação, seria por demais incrível ter que resumir em apenas 30 minutos uma história de – nada menos que – 90 anos, como me solicitavam. No entanto, a realidade me esclarecia de que a razão decorria da presença de outros palestrantes e que o tempo total teria, então que ser equalizado entre todos.


Para não decepcionar aos queridos amigos, busquei, então, restringir ao máximo a minha exposição, evidente, decidindo resumir o quanto possível os episódios que constituíram a minha rica história em torno do tema. Por conta do que levei alguns dias – antes de seguir para a sede do evento – estabelecendo as condições que me conduzissem a privilegiar apenas alguns momentos destes meus – graças a Deus, bem vividos – 90 anos. Verdade, que toda a minha vida tenha sido – como sempre menciono – dedicado a criar instituições ou instrumentos destinados – da mesma sorte evidencio – a “somar e/ou multiplicar” - que, embora ensaiasse diariamente, estava encontrando muita dificuldade, para montar uma peça em que pudesse incluir os principais acontecimentos. Sobretudo aqueles vinculados à condição de jornalista e, especialmente, no campo do turismo.

Tarefa praticamente impossível

Em princípio, busquei relacionar, pela ordem do tempo percorrido, as ocorrências que mais se houvessem evidenciado. Acontecia que, conquanto insistisse em materializar aquela pretensão, seguidamente verificava que o tempo me era contrário. Apesar de todo o esforço, não conseguia sintetizar em apenas meia hora os principais assuntos que estivessem destacados numa história tão bem produzida.

Foram alguns dias, até a data do nosso embarque para Porto Seguro, em que destinei as minhas manhãs e tardes àquele exercício mental, de espremer em 30 minutos uma história vivenciada em 90 anos – correspondendo, portanto, a 1.080 meses, 32.400 dias, 777.600 horas, ou 46.656.000 minutos - em apenas 30 minutos, o que não estava conseguindo. Mesmo assim, seguimos para aquela cidade histórica e, lá, ainda busquei equacionar aquele problema aparentemente insolúvel.

Embora toda a dificuldade que estava encontrando, conclui de que teria que enfrentar a situação, mesmo com aquela aparente inconsistência de tempo que me havia sido destinada. Por sugestão de CARLA, ela decidiu selecionar nos nossos arquivos algumas fotos que pudessem, de certa forma, documentar o que eu iria relatar. É que não havia mais condição de me recusar, até porque seria negar a minha vocação de saber solucionar quaisquer questões que me fossem proporcionadas.

Bom relembrar a equação que me dispunha a resolver

Mesmo antes de que eu possa concluir a forma como consegui sistematizar aquela questão que me havia sido destinada, vou tentar resumir o que foi a minha história de vida em torno do tema. Porque, na realidade, esses 90 anos tão bem vividos, mostram-me que a minha vocação de criar, de construir, de unir, com o objetivo – repito – de somar e multiplicar, na realidade, nasceu comigo. Isto porque identifico ainda na minha infância a primeira manifestação nesse sentido.


Senão vejamos, então: eu residia na cidade de Amargosa, onde meu pai exercia a função de “exator de coletoria” estadual, o que corresponde, hoje, ao cargo de “fiscal de rendas”. Aquela cidade era conhecida, inclusive, pelo desenvolvimento do seu futebol, em que os dois principais clubes que dividiam a sua sociedade eram Flamengo e Fluminense. Por acaso, o meu pai era o Presidente do primeiro. Envolvido naquela movimentação foi que proporcionei a minha primeira investida no tema destas considerações. No sentido de que, aos 10 anos, convoquei os meus mais chegados amigos e, com eles, fundei o que se constituiu no “Flamengo Infantil”. À época, ainda frequentava o curso primário e não tinha, na medida da sua importância, o quanto seria expressivo aquele fato no futuro contexto da minha vida. 

Nunca mais parei de criar

Aquela despretensiosa ocorrência nunca mais foi interrompida. Porque, aos meus 12 anos tive que me submeter ao que seria o “primeiro vestibular” da minha vida: o “exame de admissão”, que me conduziu a inaugurar o Ginásio Severino Vieira, ali no largo de Nazaré, assumindo o primeiro ano de ginásio. Ao concluir os primeiros doze meses naquele estabelecimento, vivenciei a experiência de perceber de que a família de alguns colegas demonstrava não contar com as condições financeiras para adquirir todos os livros pertinentes às diversas matérias.

Foi razão suficiente para que eu idealizasse - e sugerisse aos meus colegas – que destinássemos os nossos livros - que não mais nos seriam uteis – a fim de que constituíssemos uma espécie de “biblioteca circulante” – que poderia ser extremamente valiosa àqueles colegas que iniciariam, também, aquele curso e durante o seu currículo.



Após os quatro anos do ginásio, fui transferido para o Colégio Central – ali na Lapa – onde o curso de ginásio prosseguiria com o denominado Curso Colegial (clássico ou científico, então), sendo que eu optei pelo Científico. Isto pelo fato de que desde bem criança eu me impressionara com dois médicos da família (o ginecologista, Dr. Domingos Machado, e o meu pediatra, Dr. Osanah Oliveira). Fato que mostra o quanto, por vezes, nos equivocamos em decisões, foi que desde aqueles primeiros anos entendi de que deveria seguir a profissão daqueles dois profissionais. Daí ter cursado o científico e não o clássico, no Central, chegando até a frequentar um curso para Vestibular de Medicina, na Escola Baiana de Medicina, no Hospital Santa Izabel, com o Professor Rodolfo.

No entanto, por acaso, uma querida amiga daquele período da juventude, que residia na mesma rua nossa, MARIA NUNES LISBOA (Marietinha) – que já frequentava, por sinal, aquele curso, tornando-se, depois de diplomada, Juíza do Trabalho - “encasquetou” de que minha vocação não seria Medicina mas sim Direito, e tanto me convenceu que, no meio do ano decidi mudar de orientação e acabei fazendo vestibular para Direito, quando fui surpreendentemente aprovado com média expressiva, o que resultou na minha diplomação e me tornei, então, Advogado.

A vocação para viver em comunidade

A partir dali, continuei a minha vocação para viver em comunidade, objetivando, repito, construir, reunir, somar para multiplicar. Tanto assim que passei a integrar entidades coletivas, quando não as instituindo propriamente. Cumprindo essa verdade, no curso científico, passei a me inserir na política do Grêmio do Colégio, integrando suas Diretorias.

Na universidade, não me estimulei a participar dos movimentos voltados para o Centro Acadêmico, por não concordar com o fato de que se envolvesse a política partidária nos movimentos universitários, como ocorria. No entanto, a condição de jornalista profissional me colocou em contato com a entidade daquele setor profissional que era a ABCD – Associação Baiana dos Cronistas Desportivos.

Integrando inúmeras Diretorias, cheguei à sua vice quando, sob a liderança do saudoso AMANDO CHAVES – um dos principais apresentadores de programas ao vivo da TV baiana – encetamos campanha para angariar fundos que, por sinal, nos permitiram a aquisição de um andar inteiro no Edifício Themis, na Praça da Sé e ao lado do viaduto.

Aquela minha atuação, levou-me a atrair o apoio dos demais companheiros, que me conduziram, por fim, à sua presidência por duas gestões. À mesma época ocorreu uma outra inciativa minha e do Pellegrino que, valendo-nos do fato de que havíamos gozado da condição de bolsistas do Instituto de Cultura Hispânica, com viagem à Espanha, agregamos vários outros companheiros na mesma condição, e fundamos a Associação dos “becários e ex-becários” do ICHUP, integrando, evidente, a sua primeira Diretoria.  

Com os jornalistas de turismo


Vale a evidência de que ocorreu um fato decisivo na minha vida profissional de jornalista, quando, em 1976, aquela minha condição tomou um rumo muito especial. A questão foi que, entre 1975 e 1976, o jornalista paraibano ASSIS CHATEAUBRIAND, que foi o responsável por instituir aquela que se constituiu na maior organização de empresas jornalísticas da América Latina, os Diários e Emissoras Associados, foi acometido por um AVC, desativando-se totalmente e passando a viver numa cadeira de rodas.

Lamentavelmente, aquele incidente foi responsável pela desagregação total do grupo “Associados”, conquanto o, então, senador pelo Espírito Santo, JOÃO CALMON – que era o Superintendente da organização – se empenhasse de toda a forma para manter o grupo unido, CHATEAUBRIAND tinha um único filho – herdeiro universal – que, por acaso, não demonstrava apetência, muito menos competência, para conduzir aquele “barco”. “Meteu os pés pelas mãos” e, simplesmente, destruiu toda a organização.

Aqui em Salvador, por exemplo, os dois jornais diários – o matutino Diário de Notícias e o vespertino Estado da Bahia – fecharam, enquanto a Rádio Sociedade da Bahia – uma das mais potentes do pais – bem assim a TV Itapuã– uma das primeiras introduzidas no país (vale referido que foi ele quem trouxe a TV para o Brasil) – foram vendidas. 

Foi quando surgiu a GAZETA DA BAHIA TURISMO

Como ficamos ambos – eu e Pellegrino – desempregados como jornalistas e, embora a expectativa de sermos absorvidos por outra empresa local, em determinado momento, nos primeiros meses de 1976, PELLEGRINO me fez uma observação decisiva nas nossas vidas:
- CASAES, não vamos mais ser empregados de ninguém.

- Sim, e daí!

- Vamos lançar o nosso próprio jornal.

Surpreso, imaginando que ele se referisse a um veículo diário, quando ele esclareceu.

- Não, não será um veículo diário, mas sim um “jornal mensal” e especializado em turismo.

A ideia tanto me surpreendeu como me agradou sobremaneira. Imediatamente, então, passamos à execução da sugestão. Criamos a empresa – ETAP – Editora de Turismo, Assessoria e Promoções Limitada. E seguimos a preparar o que seria o seu primeiro número. Era precisamente o mês de agosto do ano de 1976 – segundo a história. Quando lançamos o primeiro número da GAZETA DA BAHIA – TURISMO, o que ocorreu durante um Congresso da ABAV realizado, então, em Fortaleza, no Ceará.

Informamos ao país sobre o “Dia Mundial do Turismo”



Coincidentemente, eu houvera recebido da Europa uma importantíssima informação: “A Organização Mundial do Turismo havia instituído que o dia 27 de setembro deveria ser, anualmente, comemorado como o “DIA MUNDIAL DO TURISMO”. Por incrível, somente eu no país, havia noticiado aquela informação.

Tentando utilizar aquele fato de que tão só nós houvéssemos noticiado aquela decisão, eu sugeri a PELLEGRINO de que deveríamos aproveitar e comemorar a data, pois seríamos os únicos – como ocorreu – no país a assim proceder. E o fizemos: no dia 27 de setembro recepcionando todos os passageiros que embarcaram e desembarcaram no, então, Aeroporto Dois de Julho, em Salvador. Aos homens, oferecemos “uma figa de guiné, uma fitinha do Senhor do Bonfim e um cartão alusivo à data”, bem assim, às mulheres, entregamos “um botão de rosas, a fitinha do Senhor do Bonfim e o cartão alusivo à data”.   

No ano seguinte, entendi de que aquela forma de festejar fora válida para a primeira comemoração e que, a partir dali, deveríamos enriquecer a iniciativa. Idealizei, então, promovermos a seleção dos que seriam considerados como “Os Melhores do Turismo da Bahia”, nas diversas categorias.

E assim o fizemos, o que aconteceu numa concorrida reunião no Centro de Convenções, sob a presidência do, então, Governador ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES. Oportunidade em que entregamos a cada um eleito o diploma correspondente.

O Troféu “CATAVENTO DE PRATA”

No ano seguinte, sempre com a intenção de inovar, imaginamos a possibilidade de destinar aos selecionados para a homenagem um troféu. Então passamos, eu e Pellegrino, a sugerir como seria o troféu, admitindo algumas imagens, a exemplo da Igreja do Bonfim, do Mercado Modelo, do Elevador Lacerda. Todos foram considerados como de confecção complicada. Foi quando o Pellegrino saiu com uma sugestão um tanto inusitada:

- Um CATAVENTO!

E eu reagi:

- Um CATAVENTO, o que tem um CATAVENTO a ver com o turismo?

E ele me surpreendeu com a explicação:

- O CATAVENTO não é um instrumento que produz energia?

- Claro – assentei.

-E não produz energia sem poluir?

- Evidente -  confirmei.

Quando ele me espantou com a afirmação:

- E o turismo não é a indústria que não polui?

Achei a alusão fantástica. Aí saiu:

- Um CATAVENTO DE OURO!

- De ouro não, é muita pretensão e de complicada confecção: de Prata!

Foi quando se idealizou, então, o CATAVENTO DE PRATA!!!

As entidades do segmento

Com a nossa presença, a partir de então, nos eventos nacionais dos diversos segmentos do turismo, identificamos que já se fazia notar a existência de jornalistas especializados nos diversos Estados brasileiros. Quando, oportunamente, PELLEGRINO teve a ideia de fundarmos uma entidade que reunisse os profissionais de imprensa dos diversos veículos da Bahia num agrupamento próprio.

Criamos, então, a AJOTEBA – Associação dos Jornalistas de Turismo do Estado da Bahia, da qual cheguei a ser seu Presidente em períodos vários.  Nos demais Estados, o mesmo movimento passou a ocorrer, quando surgiram, por exemplo, a AJOTECE – Associação dos Jornalistas de Turismo do Estado do Ceará, a AJOTAL, em Alagoas, a JOTESP, em São Paulo. No entanto, surpreendentemente, também identificamos que uma outra se denominava de ABRAJET – Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo, mas que se restringia exclusivamente ao Rio de Janeiro.

Implicado com aquela excrescência, tomei conhecimento de que ocorrera um fato lamentável. A ideia de fundar uma entidade realmente nacional fora dos profissionais de São Paulo, que convidaram os colegas do Rio de Janeiro para participar da iniciativa. No entanto, incrivelmente, os cariocas atravessaram os paulistas e se apressaram em fundar a tal entidade, que se denominou, então e estranhamente, de ABRAJET. Evidentemente decepcionados, os paulistas não aderiram e criaram a sua própria entidade: JOTESP – Jornalistas de Turismo do Estado de São Paulo.

Daí à minha interferência

Examinando aquela situação, entendi de que se tratava, realmente, de uma excrescência, uma entidade denominada de “Brasileira”, mas circunscrita tão somente a um Estado. Porque os cariocas não se mobilizaram para incluir os profissionais dos demais Estados. Passei, então, a defender a tese de que aquela ABRAJET deveria ser, realmente, “nacionalizada”.

Em todas as oportunidades que me encontrava com colegas dos demais Estados, defendia aquela ideia. E fui ganhando apoio em todo o país. Incrivelmente, o único companheiro que não partilhava daquela proposta era, surpreendentemente, ARAUJO CASTRO, CLORIVALDO ARAÚJO CASTRO, que era, por acaso, o Presidente daquela entidade e, também, por acaso, baiano de Santa Maria da Vitória, que editava no Rio o “Jornal do Turismo”.

De começo, eu não entendia qual a razão daquela recusa. Com o passar do tempo foi que identifiquei de que ele não queria perder aquele “reinado”, pois, nacionalizada a entidade, lógico teria que realizar eleições periódicas e trocar de presidentes. O que, claro, ele temia. Enquanto no Rio de Janeiro ele permaneceria o tempo que quisesse.

 O acaso fez surgir a “luso-brasileira”

O acaso fez, então surgir a “Associação Luso-Brasileira de Jornalistas de Turismo”. Seguinte: a certa altura, um querido e saudoso amigo português – NUNO LIMA DE CARVALHO – um intelectual lusitano, bacharel em direito e, durante quase toda a vida Diretor do Cassino do Estoril, mas apaixonado pela Bahia, idealizou a realização do que denominou de “Primeira Semana do Turismo da Bahia-Estoril Portugal”. Contava com o apoio de outro querido e, também, saudoso amigo, Dr. MANUEL TELLES, um industrial português dono de alguns hotéis no país, bem assim de LICÍNIO COELHO, do turismo oficial português. Ao trazer a sua ideia a Salvador, logrou o apoio indiscutível do Governador de então, ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES.


Em certo momento, fiquei sabendo de que programado o evento, estava prevista a vinda de um avião da TAP lotado com as lideranças do turismo português, autoridades e uma delegação representativa da cultura lusitana, esta liderada pela saudosa e maravilhosa AMÁLIA RODRIGUES. Que, por sinal, foi a responsável pelo espetáculo de encerramento do evento, no Teatro Castro Alves, com sucesso mais que absoluto, pois emocionou a todos os que lotaram o espaço.

Foi, então, que fiquei sabendo, também, de que acompanhavam a delegação quinze jornalistas de turismo daquele país. Tive, então, a ideia de, numa reunião da nossa AJOTEBA uma semana antes, sugerir que promovêssemos um encontro com aqueles colegas, que integravam a AJOTAL – Associação de Jornalistas de Turismo de Portugal;

Alias, o que acabou ocorrendo com extremo sucesso, a ponto de, ao cabo da reunião, ter sido fundada a Associação Luso-Brasileira de Jornalistas de Turismo. Com a decisão de que, anualmente, deveria ocorrer um encontro aqui na Bahia e outro em Portugal. E foi realmente o que passou a acontecer. Aliás, a entidade da qual cheguei a ser o seu Presidente do “Capítulo Brasil”.

A Praça da Figueira ficou famosa

Por consequência, em determinado momento foi promovida a ida dos jornalistas brasileiros a Portugal. E lá estávamos com vários colegas dos diversos Estados, inclusive o ARAÚJO. Numa certa tarde, encontrávamo-nos circulando pela parte baixa de Lisboa, mais precisamente, pela Praça da Figueira, ali ao lado do Rossio. Em determinado momento, decidi questionar – mais uma vez – o Araújo, quanto à nacionalização da ABRAJET.

No crescer do meu entusiasmo, inclusive, ofereci Salvador para que nós realizássemos o que seria o Primeiro Encontro Nacional de Jornalistas de Turismo. Oportunidade em que, então, nacionalizaríamos a ABRAJET. Por sinal, consegui ali o apoio de todos os companheiros brasileiros que nos acompanhavam. Menos, evidente, do ARAÚJO. Que, irresponsavelmente apenas sorriu em resposta à minha sugestão, deu as costas e saiu andando pela praça.

Revoltado que, por consequência, fiquei, retruquei-lhe, então, de que, mesmo que ele não aprovasse a ideia, quando eu retornasse a Salvador, iria programar aquele encontro, no qual nós, então, criaríamos uma entidade nacional. E, na realidade, foi o que ocorreu. Ao chegar em Salvador, imediatamente sentei com HÉLIO, meu irmão, e esquematizei o que seria aquele evento. Chegando a estimar de que deveríamos, possivelmente, ter conosco, então, cerca de 70 jornalistas dos demais Estados. Com o que, deduzi de que teríamos que contar, portanto, com o apoio dos hotéis da cidade, para os hospedar.

O Meridién surpreendeu


Imediatamente, então, desci ao Gabinete do Diretor Geral do Hotel, que era o francês Jean Louis Delquinies – pois o nosso escritório ficava no segundo andar daquele que foi o Hotel Méridien, de origem francesa – e fui levar a ele a ideia que estávamos materializando. Ele vibrou, assegurando, inclusive, de que aquele evento seria da maior valia para o turismo baiano. Então eu lhe passei que estávamos estimando em 70 os jornalistas dos demais Estados e iríamos necessitar do apoio dele, o que facilitaria para os nossos contatos com os demais hotéis da cidade.

Foi quando ele então, ligou para o Diretor Adjunto do hotel, o angolano MÁRIO MONTEIRO, um amigo querido e profissional competente. Com a sua presença, explicou-lhe da nossa ideia e o autorizou a que reservasse para mim, naquelas datas, nada mais nada menos do que “70 apartamentos duplos em caráter de cortesia total com café da manhã”. Com o que, então, evidente que não necessitaríamos de apoio dos demais hotéis, pois ele queria que o evento ocorresse todo ali.

Quase desmaio de surpresa.

Imediatamente passamos a enviar os convites para os colegas nos demais Estados. Quando nos encontrávamos na semana anterior à realização do evento, fui surpreendido pela observação de HELIO – que controlava as inscrições – de que já nos encontrávamos com 83 colegas dos demais Estados inscritos. Surpreendi-me e, por consequência, decidi voltar ao Delquinie para lhe informar de que, em virtude daquele não esperado excedente, teríamos que contar com outros hotéis.

Ao lhe passar aquela informação, Delquinie, então me questionou de quantos eu poderia estimar de que, no final, viriam. E lhe respondi de que não teria mais como promover uma estimativa por me faltarem informações precisas. Ele, então, voltou a convocar o Monteiro e lhe autorizou a que “reservasse para Casaes tantos apartamentos duplos, em caráter de cortesia total com café da manhã, de que eu necessitasse”.

A sensação de desmaio ainda foi maior. Pois atitude daquela, realmente, não existe. Na realidade o evento se consumou com a participação de 125 colegas dos demais Estados.

Acabei eleito Presidente Nacional

Por consequência, o ARAÚJO não teve a coragem de ficar de fora daquele movimento, e veio participar da sua realização. Logicamente, concordando com a transformação da sua ABRAJET na entidade nacional, o que resultou em extinção de todas as demais entidades dos diversos Estados, que passaram a se constituir em seccionais.

Ocorreu que, em virtude daquela minha liderança, acabei sendo cogitado para presidir nacionalmente a entidade, já que havia assumido, inclusive, a presidência da Seccional Bahia. No entanto, o primeiro Presidente Nacional foi, logicamente, o próprio ARAÚJO CASTRO, por razões obvias. A que se seguiu um alagoano, por sinal, tio de FLAVIO GOMES DE BARROS – LUIZ ALÍPIO GOMES DE BARROS. O terceiro se não estou equivocado, foi o paulistano PAULO MATOS.

Sobreveio então, o congresso de Blumenau, em Santa Catarina. Oportunidade em que não se conseguiu evitar que os amigos lançassem, enfim, a minha candidatura. Já contando com a maioria esmagadora dos votos da grande participação dos Estados, sobretudo do Nordeste, em que o único a discordar foi Pernambuco – liderado por AUGUSTO BOUDOUX. Na realidade não aceitavam o meu nome as seccionais de Rio, São Paulo e Minas Gerais, este último liderado pelo – por sinal – querido e saudoso amigo JOÃO UCHOA CAMARÃO, que seguia cegamente a liderança de ARAÚJO. Por sinal, argumentavam que um nordestino não teria prestígio suficiente para conseguir apoio das companhias aéreas e dos hotéis para os nossos eventos.

Ocorreu que, chegado o dia da eleição, já poucos minutos antes da reunião, sequer eles tinham candidato, pois ninguém se aventurava a me contestar. Quando, finalmente, os adversários conseguiram, precisamente, convencer ao BOUDOUX que, afinal, concorreu comigo e levou o desprazer de uma derrota acachapante.

A história informa de que quase não assumo

Em virtude do que, imediatamente antes da posse do novo Presidente, o que se despedia obrigava-se a apresentar relatório de atividades e prestação de contas. E o que o PAULO MATOS – que me antecedeu – disponibilizou foi de tal sorte inaceitável, pois registrava débito da entidade para com ele – porquanto, entre outras iniciativas, realizara viagens internacionais sem autorização e à conta da entidade, para o que adotara alguns empréstimos, também sem autorização – que eu me recusei a assumir. Diante do impasse, e para que a entidade não ficasse acéfala, a assembleia quase unanimemente decidiu desligar o meu mandato do anterior, nomeando “comissão de inquérito” para apurar aqueles fatos.

Assumi, então, sendo que adotei medidas nunca antes cumpridas, a exemplo de editar relatório mensal destinado a todas as seccionais, equacionando todas as atividades do Conselho Executivo, que eu presidia. Bem assim, prestação de contas mensal do movimento financeiro da entidade também destinada a todas as seccionais. Era com o objetivo de que todos os associados tivessem conhecimento de tudo quanto ocorria no exercício da minha presidência.

Surpreendente apoio da VASP



Mas um fato surpreendente viria a contestar frontalmente o preconceito que alguns tinham contra o nordestino. O acaso nos colocou diante da situação de que a VASP – até então uma companhia aérea de propriedade do Governo de São Paulo -  havia sido adquirida por um empresário de Brasília: WAGNER CANHEDO. Ocorreu que o novo proprietário da empresa veio a Salvador apresentar a nova administração da companhia.

Num encontro que teve com as lideranças do turismo baiano, depois da sua exposição, eu lhe fiz uma solicitação, no sentido de que ele assegurasse o apoio da VASP, junto ás demais companhias nacionais – VARIG e TRANSBRASIL – para a realização do nosso congresso daquele ano. O que seria materializado, entre as três companhias, em 50 bilhetes “free” e tantos “AD-75” necessários para o transporte dos dirigentes da entidade e seus associados, de suas origens ao local do congresso.


Foi quando ele me solicitou uma carta com aquela informação. Imediatamente a retirei do bolso e lhe entreguei. Ele leu e, incontinente, despachou para o seu filho – que apelidava carinhosamente como “alemão" – recomendando no sentido de que fosse atendido com exclusividade, sem necessidade do apoio das demais companhias. Foi um “tiro” certeiro na discriminação dos centro-sulistas com o nordestino.

Mas não ficaria ali aquela conquista, minha. Dias depois ocorreu um evento em São Paulo e eu fui convidado. Aproveitei para fazer uma visita a CANHEDO, no escritório da VASP no Aeroporto de Congonhas. E no encontro com ele, sugeri de que – já que a VASP se tinha revelado como uma parceira da ABRAJET, que o fizesse atendendo a todas as nossas necessidades. O que se materializaria com a concessão dos 15 bilhetes mensais (entre março e novembro) destinados às reuniões do Conselho Executivo da entidade, que se realizariam em cidades previamente conhecidas.

O Presidente CANHEDO, então, solicitou-me um documento com a reinvindicação. Tirei imediato a carta do bolso e lhe entreguei. Que ele destinou ao Departamento Jurídico para exame. Poucos dias depois, recebi um convite do Presidente da VASP, com um bilhete aéreo, solicitando minha a ida a São Paulo. Novo encontro em que ele voltou a me surpreender, assinando comigo um acordo atendendo ao meu pleito.

Nunca tive conhecimento de que qualquer entidade do turismo brasileiro houvesse assinado um acordo (documento assinado) fazendo-lhe concessões. Lógico que muitas entidades conseguiam todo o apoio das companhias, mas nunca na forma de um documento assinado.

Os mais belos congressos

Durante a minha presidência, que resultou em quatro anos, pois fui reeleito – uma gestão ocorria em dois anos – realizei três belíssimos congressos: um em João Pessoa – Paraíba, um em Maceió – Alagoas e um em Salvador – na Bahia; mas também um em Brasília – DF que, por sinal, foi o pior, mais desorganizado de que tenho notícia.

Vale lembrar, sobretudo, o de Salvador, pois foi absolutamente fantástico. A começar pelo fato de que algumas questões foram incrivelmente inéditas, o que passo a discorrer:

- meses antes, enquanto organizava o congresso, fui ao Município de Camaçari e solicitei ao Prefeito que verificasse a possibilidade de doação de um terreno numa das belíssimas praias locais, que seria destinado à construção da sede da entidade. Surpreendi-me, logo depois, com a informação do Prefeito de que estava já concedendo para a entidade uma área de 3.000m² à beira do mar, entre as praias de Guarajuba e Itacimirim. Fato de que me deixou felicíssimo.

Mas não ficou aí, como decidi instalar ali uma pousada destinada a acolher todos os associados da entidade dos diversos estados, determinou à sua assessoria de arquitetura no sentido de elaborar o projeto respectivo, o que ocorreu, realmente com a assistência de MILTON PARNES (que era hoteleiro no Rio) e JOSÉ DE ANCHIETA CORREIA (que exercia as funções de Diretor de Turismo em Teresina-Piauí). Mais ainda: quando já preparava o Congresso, fui ao Governador de então, ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES, convidá-lo para que presidisse a sua instalação, quando aproveitei para lhe informar da doação do Prefeito de Camaçari e nosso projeto. Mas que não possuíamos condições financeiras para a construção. Surpreendentemente, ele me afirmou que iria me ajudar naquele sentido. Inclusive, quando da realização do Congresso, promovi uma visita   de todos ao associados da ABRAJET, presentes, ao terreno na orla de Camaçari. Ali, aproveitamos e colocamos a tradicional “pedra fundamental” e plantamos algumas mudas de “Pau Brasil”. Oportunidade em que o próprio Prefeito nos acolheu com um almoço em Guarajuba.

Fatos inéditos no Congresso

Muitos outros fatos inéditos: quando da realização do Congresso, consegui e proporcionei – por exemplo - a todos os presidentes das seccionais que, ao desembarcar no Aeroporto Dois de Julho, em Salvador, receberam uma chave de um veículo, o qual poderia utilizar durante toda a sua estada na capital baiana, sem qualquer custo.

Inovei, ainda, em algumas outras iniciativas, como a de substituir os tradicionais “cofie break” por nada menos do que “chocolate break”. Para o que contei com o apoio do saudoso HANS TOSTA SCHAEPPI, que era fabricante de chocolate em Ilhéus.

Programei os dois almoços no próprio Centro de Convenções – para que a possível saída dos associados não prejudicasse as reuniões e respectivas palestras. Um dos almoços oferecido pela Bahiatursa e o outro pela VARIG, com as suas bandejas.

A instalação do congresso foi presidida mesmo pelo, então, Governador ANTONIO CARLOS MAGALHÃES, acompanhado de todas as autoridades dos três poderes, sobretudo uma representante da Presidência da República, que foi a Diretora da Embratur MARCIA KUBTCHEK.

As palestras também contaram com um Assessor do Presidente da República, bem assim de GILBERTO GIL – que andou atuando na política, então, quando chegou a ser eleito Vereador. Enquanto a parte artística, no final da reunião de instalação, esteve a cargo da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia e o respectivo Madrigal. Noite que teve como traje o passeio completo obrigatório.

Realizei, ainda, uma Feira Nacional de Turismo – executada pela festejada empresa paulista ALCÂNTARA MACHADO – única feira de turismo na história dos congressos da ABRAJET. Na qual o estande que se destacou foi o da Paraíba, pois trouxe um artista plástico que pintou o corpo de uma jovem inteiramente despida.

Mas, o que mais surpreenderam foram as noites temáticas: a primeira, evidentemente, de instalação, lógico, traje passeio completo e; a segunda, no antigo Hotel Quatro Rodas (hoje Deville), noite junina com traje típico (para o que foram oferecidas a todos os participantes camisas alusivas), com barraquinhas em torno da piscina, instaladas pelo Diretor do hotel – ALDO CAMPOS - com todos os acepipes típicos do São João e música ao vivo. Terceira noite, no Hotel Othon, réplica da Lavagem do Bonfim, para o que JOSÉ HAMILTON SAMPAIO (que era o Presidente da SUTURSA - municipal), junto com BAIÂO, o Diretor do Hotel, programaram uma réplica da Lavagem do Bonfim, pois mandaram construir na parede do fundo do salão do Centro de Convenções uma “réplica da fachada da Igreja do Bonfim”, e organizaram do lado de fora do salão um cortejo liderado pelos dois e mais eu próprio, seguidos das baianas com os seus “potes de flores”, vindo atrás os Filhos de Gandhi, e todos os associados presentes (detalhe: todos de branco, para o que foram distribuídas camisas brancas aos associados).

O encerramento do congresso foi apoteótico: CARNAVAL. Para o que JOSÉ HAMILTON SAMPAIO contratou um trio elétrico, que colocou do lado de fora – na rua, que fechou ao tráfego, para que o povão participasse – enquanto em torno da piscina do, então, Hotel da Bahia (Hoje Idish) e do lado de dentro, estiveram todos os associados da ABRAJET, com o pormenor de que todos vestidos de “abadás” dos diversos blocos baianos.

Sem dúvidas, um congresso sem semelhante.

Em Brasília o pior congresso

No entanto tive a infelicidade de ter sido realizado, também sob a minha Presidência, o que foi o “pior congresso da ABRAJET”. E aconteceu em Brasília. E ocorreu quando haveria eleição, em que eu me candidatara para um segundo período. Como ocorria em todos os eventos similares, solicitava antecipadamente aos Presidentes das seccionais patrocinadoras que, com o devido tempo, fornecessem a relação dos hotéis destinados à hospedagem dos participantes, programação de almoços e jantares, relação de palestrantes, enfim tudo quanto se destinasse à realização do evento.

Já se aproximando do momento, e por exigirmos, foram-nos enviadas as relações dos hotéis. Quem controlava a destinação da hospedagem dos inscritos era o meu irmão HÉLIO. Em determinado momento, chegou-nos uma mensagem de um Hotel Gárvea, informando-nos de que “lamentavelmente”, em virtude de que naquelas datas o hotel se encontrar com um outro evento, não teria o prazer de conceder aquelas hospedagens.

Imediatamente, respondi-lhe, estranhando de que nos houvesse encaminhado uma carta concedendo 10 apartamentos e somente após a destinação dos seus ocupantes, informasse-nos de que não poderia atender!

Ocorreu a seguir uma ligação, daquela feita, pela secretária do hotel, indagando-me se eu possuía a carta que informava. Com a afirmação, pediu-me se poderia enviar uma cópia. O que fiz imediatamente. Logo, logo, quem ligou foi o próprio Diretor do hotel. O qual me assegurou de que aquele documento era falso. E me esclareceu de que verificasse se, na parte superior do papel, não havia uma listinha que indicava ter ocorrido uma colagem com o título do hotel. E que o seu nome embaixo estava grafado errado e, lógico, assinatura falsa.

Quase desmaio.

Informei-lhe, então, de que, já estaria seguindo para Brasília no sábado seguinte e que do aeroporto, iria diretamente para o hotel encontra-lo e lhe exibir o documento. Em que ele retrucou de que iria encaminhar o assunto à assessoria jurídica. O que lamentei não ter, realmente, cumprido.

 Incríveis absurdos

Em Brasília, fiquei sabendo que o fato teria decorrido em razão de que o Presidente da Seccional, em certo evento teria encontrado com o Diretor do hotel e lhe solicitado apoio para o Congresso. O qual, então, lhe pedira uma correspondência com a solicitação para poder atender. Com o passar do tempo, ele não lembrou daquela solicitação e, pressionado para fornecer a relação dos hotéis, falsificou o documento, esquecendo-se de informar ao Diretor do Gárvea que estaria considerando a cortesia dos apartamentos.

Mas, as estripulias não ficariam ali. Encontravam-se inscritos cerca de 300 participantes no congresso. Embora eu houvesse recomendado que não programasse almoços fora do Centro de Convenções, para não prejudicar a programação vespertina, os dois almoços foram realmente programados para restaurantes distantes do Centro de Convenções. O mais absurdo, embora soubesse que haviam cerca de 300 inscritos, contratou os dois almoções para 100 pessoas, cada.

Imaginem a confusão que criou nos dois restaurantes.

Pior. Embora com a minha advertência quanto à programação vespertina, pois, logicamente, não haveria tempo suficiente para que os participantes retornassem às 14:00 horas ao Centro de Convenções, ele programou para exatamente as 14 horas, uma palestra do Senador por Pernambuco MARCO MACIEL. Naquela tarde, então, como já eram cerca das 13:00hs eu não havia conseguido almoçar, pela natural confusão que estava no restaurante, decidi retornar ao Centro de Convenções e encontrar o Senador para lhe pedir mil desculpas em virtude da ausência, lógica, dos participantes do congresso, para ouvi-lo. 

Ao Chegar no Centro de convenções, fui informado de que o Senador ali já estivera e, como não encontrou ninguém, foi embora. No retorno do Presidente e ao questioná-lo ele me acusou de dar muita importância a qualquer bobagem (imaginem!!!). E que, conquanto eu houvesse advertido de que não o fizesse, assegurou de que iria programar para a tarde do dia seguinte. Não deu outra. A confusão no segundo restaurante foi a mesma da anterior. Naquela tarde, eu nem fui almoçar, fiquei aguardando o Senador para lhe pedir todas as desculpas possíveis. Ocorre que não o Senador, mas foi um assessor seu que esteve no Centro de Convenções, ao qual solicitei que levasse ao Senador nossas desculpas pela atitude absurda do Presidente da Seccional.

Claro, não houve palestra.

O mais incrível na Embaixada do Chile

Realmente, a questão mais absurda ocorreu na noite de encerramento. O programa oficial elaborado pela seccional de Brasília informava de que o encerramento do congresso ocorreria “num jantar na Embaixada do Chile”. Com o objetivo de apresentar os jornalistas ao Embaixador, segui com o meu pessoal às 19:00 horas. Ao chegar na residência daquela autoridade, embora não visse qualquer local instalado para o jantar, imaginei que deveria estar em algum outro espaço.

Numa espécie de larga varanda, fui recebendo o pessoal e apresentando ao casal que nos recepcionava. E passou-se a ser servido um coquetel. Apenas uns quatro garçons. Na medida em que os colegas iam chegando, aquele espaço ia superlotando. Inclusive, para circular, os garçons tinham que passar em meio à multidão com dificuldade, elevando as bandejas com os drinks.

Até que, a certa altura, fui chamado a um canto pela querida companheira MARILDA, do Mato Grosso do Sul que com uma colega me informou de que estávamos dando vexame na casa do Embaixador, porquanto ela testemunhara a Embaixatriz chamar o “maitre” na “Copa” e solicitar que ele verificasse tudo que existisse nas geladeiras e freezers a fim de preparar emergencialmente, porquanto:

- Haviam combinado com o Embaixador um coquetel para 100 pessoas e, ali, se encontravam cerca de 300 falando em jantar (?).

Pedi, então à Marilda que, por gentileza, fosse avisando ao pessoal que “batessem em retirada”, pois estavam dando vexame na casa do Embaixador. Porque eu já estaria saindo sem sequer me despedir. Visivelmente envergonhado.

Por consequência, evidentemente que o responsável por aquela aberração seria seriamente punido. No entanto, logo na semana seguinte, ele reuniu uns 3 ou 4 amigos associados e extinguiu a seccional. Sem dúvida, o mais incrível evento da história da entidade. Por sinal, naquela reunião eu fui, evidentemente, reeleito com tranquilidade.

Até a VARIG se envolveu com a ABRAJET

Eu já havia deixado a presidência da entidade há alguns anos quando, em certo momento, recebi no escritório da GAZETA uma ligação de LÚCIO RICARDO. Que era, nada mais, nada menos, do que o Diretor de Comunicação da VARIG. No contato, o LÚCIO me esclareceu de que necessitava de conversar comigo, mas que somente seria recomendável pessoalmente. E que estava me enviando um bilhete para que fosse ao Rio de Janeiro contatá-lo.

No dia seguinte, segui para o Rio e fui direto do Galeão para o Aeroporto de Santos Dumont, onde se instalava o escritório da companhia. Ao encontrar o LÚCIO, ele logo me foi esclarecendo de que a questão era a seguinte: na semana anterior, havia ocorrido uma reunião da Diretoria da VARIG. E que, a certa altura, o Presidente o questionara sobre o que estaria ocorrendo com a ABRAJET, uma entidade que ele vira com tanto vigor há algum tempo, mas que ultimamente ele não via mais notícias da mesma.

Quando o LÚCIO informou-me de que o esclareceu, assegurando que durante alguns anos eu tinha sido o Presidente a movimentar sobremaneira a entidade. Mas que já algum tempo, os que me sucederam, não conseguiram manter o mesmo ritmo de ações. Quando o Presidente lhe autorizou a adotar providências com o objetivo de me reconduzir à presidência para tentar reabilitar a ABRAJET.

Era, pois, a missão de que ele estava buscando se desincumbir. Quando eu, então lhe retruquei de que não pretendia mais retornar à presidência, porquanto já havia contribuído com o meu desempenho por quatro anos. Contudo ele insistiu inclusive esclarecendo de que a VARIG não estaria sozinha, em virtude de que ele contatara com a VASP e com a TRANSBRASIL, que se dispuseram, igualmente a me assegurar todo o apoio.

Falei-lhe, por fim, de que eu não moveria nenhuma “palha” naquele sentido. Se alguns colegas se dispusessem a desenvolver uma campanha com aquele objetivo, eu não me oporia. Na sequência de entendimentos posteriores, ROQUE ALMEIDA, junto à presidente de então da Seccional do Rio, decidiram encetar uma campanha para me reconduzir.

Um outro congresso inusitado

Estava programado um outro congresso para a Bahia, quando apresentaram o meu nome. O meu concorrente inclusive, era um colega do Paraná. Aquele foi um outro evento em que a Seccional Bahia me entregou para organizar e que eu programei para se realizar, como ocorreu (ineditamente), em 10 dias e em quatro cidades – de uma sexta-feira (com o início da chegada dos participantes) e até o domingo da semana seguinte, com o retorno. E sendo instalado em Salvador, depois seguindo para as cidades de Ilhéus, Canavieiras (por solicitação do, então, Governador PAULO SOUTO) e Porto Seguro.


Houve a eleição em que, previamente, as perspectivas eram da minha escolha. Mas ocorreu um incidente que mudou o rumo das coisas. Seguinte: a grande maioria dos jornalistas participantes teve hospedagem destinada, em Ilhéus, para os principais hotéis na praia. No entanto, a delegação do Rio de Janeiro, que me apoiava só teve a inscrição dos seus associados ocorridos já nos dias próximos ao evento. Razão pela qual não foram encontrados mais hotéis de praia e foram destinados para o Barravento, que fica do outro lado da cidade, meio isolado.

Ocorre que o meu contendor havia adotado uma decisão de incluir na sua chapa um colega baiano, por sinal de Ilhéus. Claro, os cariocas se revoltaram por não conseguirem se hospedar também na praia. Do que se aproveitou o meu contendor ilheense para – evidente com os seus relacionamentos - relocar os cariocas num dos hotéis da praia. Com o que os cariocas, então, para “ferrar” a sua presidente que me apoiava, decidiram votar contra o candidato dela: EU.

Razão da minha derrota por cerca de dois votos.

As minhas tantas atividades profissionais

Profissionalmente, eu comecei a me movimentar ainda entre os meus 14 e 16 anos, quando, atraído por um anúncio no jornal, decidi concorrer a um teste para “rádio-teatro”, na Rádio Cultura da Bahia. Surpreendentemente fui aprovado e me tornei “rádio-ator” durante dois anos (até quando a direção da emissora extinguiu o departamento por medida de economia). Portanto, fiz novelas, peças teatrais, programas humorísticos, etc. 

Enquanto isto, também atuei na esfera musical, porquanto, com o meu mano HÉLIO, montamos um “conjunto vocal”, um quinteto, ainda com os amigos NILDO MIRANDA (que, depois, veio a ser tio de Claudio Maia, da Itaparica Turismo), HERBERT e JORGE “Alemão” – os “Trovadores Baianos”. Cantamos em emissoras de rádio, em clubes sociais, em festas populares, etc.

Mas, já aos meus 17 anos, informei ao meu pai de que, quando alcançasse a maioridade, não mais queria ser um “peso morto” no seu “bolso”. Que ele me conseguisse um emprego, pois HELIO já se encontrava com sua vida definida. Por consequência, logo ao completar os meus 18 anos (em 24 de janeiro de 1954) fui nomeado “Auxiliar de Escritório”, na Secretaria de Governo, no Gabinete do Governador que era, então REGIS PACHECO. Isto por conta da iniciativa de um amigo da família que era Secretário de Governo – JOSÉ MARQUES CHAGAS.

 No entanto, um ano depois, fui transferido para a Prefeitura de Salvador, convocado pelo Prefeito recém-eleito – então – o Engenheiro HELIO MACHADO que, por acaso, era irmão de meu padrinho, ARTUR MACHADO. Na campanha do qual eu havia chegado a fazer discursos em comícios. Fui destinado, enfim, para atuar na recém criada Secretaria do Bem Estar Social. Na qual iniciei como Chefe do Protocolo, depois fui elevado a chefia administrativa da Divisão de Assistência Médica e Hospitalar na Secretaria de Saúde, que sucedeu àquela.

Entre 1963 e 1964, ao ser diplomado em Direito, fui levado à Secretaria Municipal de Educação, onde passei à condição de Diretor Administrativo, quando Secretário o Dr. LUÍS ROGÉRIO. Foi, inclusive, quando fui reclassificado no cargo de Assistente Jurídico. Por sinal essa situação me levou a iniciar uma campanha no sentido de que os Assistentes Jurídicos fossem absorvidos pela Procuradoria, em virtude de se constituir numa excrescência a existência de Assistentes Jurídicos e Procuradores, que atuavam nos mesmos limites profissionais. Até porque, somente no Município de Salvador ocorria aquela distorção, porquanto no Estado e no setor federal, somente haviam os Procuradores.

Até que consegui sensibilizar, em certo momento, ao Prefeito FERNANDO WILSON MAGALHÃES que editou uma lei absorvendo todos os Assistentes Jurídicos, na função de Procuradores. Foi quando, então, assumi a condição de Procurador. Por conseguinte, inclusive, inspirado pelos amigos AFRÂNIO OLIVEIRA e DAVID MENDES PEREIRA, Procuradores do Estado mas, então, assessores do Prefeito, reuni os colegas Procuradores Municipais e fundei a Associação dos Procuradores Municipais de Salvador, da qual, por sinal, fui o seu primeiro Presidente.  

Inclusive criei uma empresa de turismo

Mas é curioso, também, lembrar de que, àquela época, e por sugestão de CARLOS VASCONCELOS MAIA, tive a ideia de fundar uma empresa de turismo: que foi a CONPTUR – Conclave, Planejamento e Turismo. Que tinha por objetivo principal realizar eventos coletivos, como os congressos. Por sinal, o primeiro deles que patrocinamos foi um Congresso de Professores Particulares de Ensino, de caráter nacional o qual, por sinal, obteve extraordinário êxito, o que nos fez seguir em frente. E passei a receber turistas, inclusive estrangeiros, para o que foram nossos guias, dentre outros, por sinal, os irmãos Carlos e Reginaldo Trigo.

O nossos escritório, por acaso esteve instalado em salas do Edifício SULACAP, ali em frente à Praça Municipal. No entanto, razões várias me levaram a, depois de algum tempo, encerrar aquela atividade. Porém, já me encontrava, definitivamente ligado ao turismo, no qual prossegui pelo resto da vida, já então como jornalista.

Foram muitas as realizações

Depois que me aposentei da Prefeitura, fui convidado pelo Secretário de Planejamento do Município de Lauro de Freitas, EDMUNDO RAMOS PEREIRA FILHO, e por indicação de um querido amigo, CLAUDIO MASCARENHAS, e nomeado Diretor do Departamento de Turismo daquele município, no qual passei somente alguns meses, porque advieram as eleições e um outro Prefeito assumiu as funções.

Então, eu me encontrava totalmente envolvido com o turismo baiano. Tanto assim que, em determinado momento, idealizei reunir todas as entidades dos diversos seguimentos daquela atividade, no escritório da GAZETA DO TURISMO, que ficava no Hotel Méridien, e sugeri que fosse criado um instrumento coletivo que seria o desaguadouro natural de todas as reivindicações de todos os seguimentos.

Foi, então, fundado o Conselho Baiano de Turismo e eu, por sinal, eleito o seu primeiro Presidente. Quando adotei algumas iniciativas, como a realização de debates com os candidatos a Prefeito de Salvador e a Governador do Estado. Bem assim, cheguei a promover um Seminário sobre as questões de segurança no Estado, quando reuni os Secretários da Segurança Pública de Minas Gerais e da Bahia.

  O CATAVENTO DE PRATA atração internacional



Já que me referi, lá atrás, à realização das “Noites de Gala do Turismo Brasileiro”, em que a grande atração era o troféu CATAVENTO DE PRATA, bom que lembre aqui, também, de que aquela promoção tornou-se internacional, uma vez que atravessou as fronteiras do Brasil e foi para a Europa.

E o fato ocorreu por iniciativa e sugestão de MÁRIO BRUNI, então Diretor da VARIG em Lisboa-Portugal. Quando – numa oportunidade em que eu e HELIO nos encontrávamos em Lisboa e o visitamos na VARIG -  ele propôs                               que realizássemos a versão lusitana daquela promoção e assegurou o apoio da VARIG. Foram, então, realizadas três versões da “Noite de Gala Luso-Brasileira”, o que ocorreu no belo Hotel Dom Pedro. Inclusive com a realização concomitante do “Festival da Culinária Baiana”, por sugestão e apoio de MARINA ALMEIDA, então Diretora do SENAC – Bahia.

A festa somente não prosseguiu porquanto a VARIG fechou e a SATA – companhia aérea dos Açores, que nos deu apoio no terceiro ano, também deixou de voar para a Bahia, o que inviabilizou totalmente a realização do grande evento. 



Escusado lembrar, também, de que a “Noite de Gala do Turismo Brasileiro” tornou-se – sem dúvidas – na maior promoção, no gênero, no Brasil. E se constitui de um coquetel, jantar, show e premiação. E na condição do traje “black-tie”. Alguns episódios impressionantes se destacaram durante a sua realização, como um “over-book” surpreendente; a perda inesperada da eleição do, então, Presidente da ABAV Nacional; a pretensão do Governador do Rio Grande do Norte, no sentido de se verificar o que seria necessário para que fosse assegurada a eleição da EMPROTURN, pois ele queria vir receber o troféu; além da anulação do prêmio ao Secretário de Turismo do Rio de Janeiro, pelo fato de que a notícia da sua eleição fora ”vasada”.

Outro fator de muita influência para a beleza da festa, foi a condição de eu ter decidido colocar um espetáculo artístico na programação. Quando proporcionamos naquela esfera, dentre as dezenas de atrações, as mais expressivas representações da musicalidade brasileira. Valendo, pelo menos, mencionar o humorista da Rede Globo PAULO SILVINO, os maravilhosos pianistas brasileiros PEDRINHO MATAR e BENÉ NUNES. Para não omitir, também, o fantástico show da casa de espetáculos carioca, de então, o “OBA! OBA!”

Noites Mineiras de queijos e vinhos



Em determinada oportunidade, eu me encontrava na cidade de Santos, em São Paulo, quando conheci um jovem, ALBERTO RISSO. Ele se apresentava como Secretário de Turismo da cidade de Andradas, Minas Gerais. E ali se encontrava para promover o turismo daquele município, com a exposição de queijos e vinhos, estes, pela existência de fábrica do vinho Piagentini ali.

 Ocorreu-me então – pela minha natural vocação promocional - e por acaso a ideia de realizar em Salvador o que seria uma “Noite Mineira de Queijos e Vinhos”, em comemoração às festas de fim-de-ano. Propus ao Alberto, se ANDRADAS não participaria daquele evento e ele me respondeu que, evidente, dependeria da aprovação do Prefeito.  E que iria consulta-lo.

O Prefeito, então, era CARLOS HEITOR PIOLLI, que resultou em mais um queridíssimo amigo e que, por sinal, adorou a ideia. Por conta do que, consegui então, realizar, em dois anos seguidos aquela espetacular promoção, para cerca de 500 líderes, profissionais e executivos do turismo baiano. Um ano no Hotel Méridien e outro no Hotel da Bahia, hoje Idish. E só ficamos ali porquanto o mandato do PIOLLI se encerrou.

Ainda restava um pouco de gás


Há cerca de 15 anos, ainda animado com um pouco de gás que me fazia mobilizar, senti a consequência desagradável do fato de que me estava distanciando dos meus queridos amigos e parceiros do jornalismo de turismo no país. Razão pela qual, aproveitei que se realizava em Salvador mais um evento de turismo e convidei alguns daqueles parceiros. Consegui, então reunir aqui JOSÉ CARLOS ARAÚJO (Ceará), FERNANDO (Paraíba), LUIZ FELIPE (Pernambuco), FLÁVIO GOMES DE BARROS e IVALDO GOMES DE BARROS (Alagoas), JUREMA JOSEFA (Rio Grande do Sul), SERGIO MOREIRA e SÉRGIO NEVES (Minas Gerais) obtive o sempre atencioso e providencial apoio de CÍCERO SENA (que os acolheu em seu hotel) e, num almoço aqui em casa, passei-lhes a minha preocupação e ideia de criarmos um instrumento que nos pudesse permanecer unidos.

Foi quando sugeriram uma Confraria, imediatamente apoiada e aprovada, do que resultou a Confraria Nacional dos Jornalistas de Turismo que, através do nosso “zap”, nos mantém unidos e contatando diariamente. Com a decisão de encontros periódicos nos nossos Estados, do que resultou reuniões em Fortaleza, Recife, Salvador, Ilhéus, Porto Seguro, Porto Alegre, Gramado. Posteriormente, foram admitidos, também JOSÉ CARLOS MELLO e MARISA (Rio Grande do Sul).

Enfim, acabei “palestrando”

Afinal, numa segunda-feira, segui de carro com CARLA e BETO para Porto Seguro. Atendendo ao gentil convite dos dois colegas e queridos amigos. Ainda lá, exercitei-me no desejo de realmente cumprir a minha fala. Até que chegou o momento na manhã da quarta-feira. Fui o primeiro a ser convocado. Decidi abordar a questão da ABRAJET, a história que me levou a realizar em Salvador o que foi o Primeiro Encontro Nacional de Jornalistas de Turismo, oportunidade em que foi fundada a ABRAJET Nacional.

Bem assim, além dos fatos que determinaram a minha decisão de realizar aqui no Hotel Meridien aquele evento, os fatos que me levaram àquela decisão. Na medida em que eu ia discorrendo, me iam informando o tempo que me restava. Até que zeraram o “relógio” e me conduziram a encerrar definitivamente aquela minha apresentação.

Supreendentemente, mais do que surpreendentemente, de repente, vi-me cercado por algumas dezenas de companheiros que participavam do evento, enquanto o público geral aplaudia de pés. Aqueles que me foram abraçar, exclamavam coisas do tipo:

- CASAES, você arrasou!!!

- CASAES, fantástico!!!.

Sou instado a confessar que, realmente, naquele momento, emocionado com aquela reação, não entendia o entusiasmo. Ainda hoje, comovo-me ao recordar aquele instante muito especial. E, concluo: receber aos 90 anos uma manifestação como aquela, é reconhecer que a minha vida não ocorreu em vão. 



Mas são histórias para somente uma outra oportunidade.     

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