A história do transporte,

do CARRO DE BOI ao ZEPELLIN

(De Carlos Casaes e Carla Maria)

Desde a minha infância eu me habituei a acompanhar as atividades dos diversos meios de transporte. Já na primeira idade e por conta da minha presença, sobretudo, no interior do Estado, acostumei-me, inclusive, a testemunhar a presença de alguns setores do transporte. Foi o que me proporcionou a intimidade com o Carro de Boi. Em todas as cidades por onde andei, desde Entre Rios a Amargosa e Alagoinhas, mas principalmente em Inhambupe, convivi com aquela forma muito ainda rudimentar e curiosa de deslocamentos no espaço.


Na terra do meu pai, Inhambupe, pelo hábito que tinha de todos os anos lá passar parte das minhas férias infantis, fui muito íntimo daquele equipamento, sobretudo nas manhãs dos sábados, quando eu era acordado com o ranger das grandes rodas de madeira, nos momentos em que os tantos moradores das cercanias traziam das roças próprias os produtos da sua lavoura para comercializar nas feiras livres. Da mesma sorte como o episódio em que meu pai contratou, em Entre Rios, dois carros de boi para nos transportar com bagagens da estão ferroviária até o centro, no momento em que nos mudamos para aquela cidade.

O mais antigo meio de transporte

Na realidade, o Carro de Boi foi, então, um dos mais antigos meios de transporte de pessoas e de carga. Por acaso, chegou a ser introduzido no Brasil mesmo pelos portugueses, sobretudo para atuação nas áreas rurais de então. Nestes nossos tempos, passou a se constituir também num símbolo cultural, e até ainda festivo, enquanto naquele passado chegou a ser por demais importante no sentido de proporcionar o deslocamento, muito especialmente, naquelas regiões onde eram precárias as condições, fosse para o transporte de produto, bem assim de pessoas, até mesmo famílias inteiras.

É a história que revela ter sido utilizado desde o período colonial como ferramenta para o transporte, sobretudo do milho e do café, como os principais produtos agrícolas, e até mesmo se pode mencionar junto àqueles a própria madeira. Uma das principais características do funcionamento do Carro de Boi vinha a ser o expressivo ruído, o rangido, que era consequência do atrito que a madeira de suas duas grandes rodas produzia no rolar pelos seus eixos. E era precisamente aquele ranger do atrito que anunciava, sempre, a sua chegada.

Do mesmo modo como era muito curiosa a forma como os seu condutores orientavam os bois, nos trajetos sinuosos daqueles “caminhos” rurais.  

Mesmo ainda hoje, o Carro de boi que, na realidade, é um dos mais expressivos símbolos culturais de algumas regiões da nação brasileira, tem sido utilizado em certas festas, e até mesmo romarias, constituindo, então, como autêntico representante do sistema cultural em épocas passadas, muito especialmente na área rural.

Tudo mudou com os novos veículos

Em virtude do desenvolvimento da indústria dos veículos motorizados, o uso daquele antigo equipamento foi-se tornando bem restrito, ao longo daqueles anos, restringindo-se consideravelmente aos meios rurais. Até vir sendo reservado para ocasiões muito especiais. No entanto, não há dúvidas de que passou a integrar o riquíssimo patrimônio histórico da nação brasileira.



É o mesmo modo como se deve ter em consideração de que o Carro de Boi representou, de forma inquestionável, valiosíssimo recurso para o transporte destinado aos círculos escolares da época. De modo muito particular, claro, no ambiente rural. Embora hoje mesmo, em determinados locais no mesmo meio rural, aquele transporte ocorra nos “paus de arara” ou ainda em outras adaptações de soluções. Por ter sido no passado, utilizado com aquele objetivo de transporte, hoje já pode e deve ser considerado como autêntico patrimônio histórico.

Não deixa de ser verdadeiro, também, o fato de que, ainda hoje, o transporte escolar neste país enfrenta fortes desafios, de modo muito especial naquelas áreas menos desenvolvidas. É exemplo o uso das caminhonetes pejorativamente consideradas como “pau de arara”. Daí assegurar-se de que o Carro de Boi é representante de fase arcaica da história pátria.

Mas ainda há improvisação

No entanto, há que se observar de que ainda constitui uma forma improvisada, além de ser consideravelmente precária para os nossos tempos, mesmo no transporte escolar. É o que ocorre em determinadas regiões de setores remotos na nação brasileira. São aquelas poucas regiões em que as rodovias são extremamente precárias. Nelas, o acesso dos veículos motorizados chega a ser quase impossível. Então, de forma muito rara, é o que constitui o modo de utilização.



Nesse contexto, passa a ser uma permanente preocupação das autoridades a necessidade de assegurar a segurança das crianças, naqueles casos de escolas rurais. O que conduz a autoridade no sentido de tentar proporcionar de que os veículos destinados ao transporte escolar, na zona rural, sejam devidamente legalizados, ainda que adaptados.

Em contrapartida, observem-se o fato de que também ocorreu uma ocasião em que se promoveu adaptação de um autocarro escolar para transporte de gado. O que pode ser considerado como aquele jeitinho brasileiro.

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