Vesúvio, vulcão que ainda está ativo
(Carlos Casaes e Carla Maria)
Em junho de
1967, eu e Tereza fomos contemplados com um convite do Governo italiano para
realizar um curso de férias – julho, agosto e setembro – na Scuela Per Stranieri della Universidad del
Studi, em Siena, na Toscana, para o que nos oferecia uma “bolsa de
estudos”. Como não poderia deixar de ocorrer, lá estivemos naquele período. Foi
a excepcional oportunidade para visitarmos a maior parte das regiões italianas.
Num daqueles fins-de-semana, fomos a Napoli, e lá, aproveitamos para promover uma visita ao vulcão VESÚVIO, por sinal ainda ativo, pois a sua última erupção havia ocorrido em 1944, mas atualmente apenas adormecido. E a nossa ida aquele fenômeno natural ocorreu de forma interessante. Pois, quando chegamos à sua base, verificamos que a subida até a sua cratera poderia ocorrer de uma forma especial, por intermédio de um sistema de “funicular”, através de cadeirinhas.
Eram duas
cadeirinhas juntas que, quando da passagem de cada dupla, acolhiam visitantes,
num movimento de subida intermitente – sem parar. Quando TEREZA encarou o
sistema, deu um “tilte” e assegurou que não subiria naquela geringonça. Pois as
cadeirinhas, embora duas, ficavam penduradas por uma haste, sem qualquer
proteção. Apenas uma trava na cintura do usuário.
Em virtude de que eu queria muito ir até a cratera do “belo” vulcão, e não conseguia convencê-la a me acompanhar, utilizei uma estratégia. Como a dupla das cadeirinhas deixava um espaço entre cada par que subia e como já havia pago o valor que era cobrado, eu, distraidamente, fui chegando de costas para o espaço em que elas passavam e distraidamente mostrava o cimo da montanha. Sem que TEREZA se apercebesse o que estava ocorrendo, de repente, duas das cadeirinhas chegaram e simplesmente nos colheram e, quando percebemos, estávamos sentados nelas. Ali TEREZA não teve alternativa e teve que subir até o topo.
Na
realidade, a subida era estressante, pois, sem qualquer proteção, recebíamos o
vento pelo rosto, em suspense pela elevada altura que nos separava do solo. Ao
lado de que, em todo o momento em que as cadeirinhas passavam por uma
intercalação dos postes, evidentemente, tremiam assustadoramente. E ela
apavorada, coitada, não teve outra alternativa a não ser me acompanhar até a
borda da cratera do vulcão. Escusado dizer de que a experiência foi fantástica,
pois pudemos ver toda a cratera até o seus limites inferiores, onde ainda
fumegava numa demonstração de que o VESÚVIO mesmo se encontrava, como ocorre
até hoje, ativo. O igual vexame das cadeirinhas, contudo, foi no retorno.
Anos após, numa
outra oportunidade, encontrávamo-nos, os dois com nossa filha HELGA, num tour
pela Europa e um dos países visitados foi, também, a Itália. Na oportunidade,
aproveitamos para ir a Napoli e, de lá, num carro alugado, fomos até Laino
Borgo e Laino Castelo (no norte da Calábria), as duas cidades em que nasceram,
casaram e viveram os pais de TEREZA, até virem para o Brasil. Onde eu e Tereza
já havíamos estado na vez anterior. No retorno a Napoli, aproveitamos para
visitar POMPÉIA. Em outra excepcional oportunidade. É precisamente
sobre o VESÚVIO e sobre POMPÉIA que estarei abordando a
seguir.
VESÚVIO é um vulcão
ainda ativo na Itália
Próximo à cidade de Napoli, no sul da Itália, o vulcão VESÚVIO, sem dúvidas, é uma atração imperdível. Ainda ativo, a sua extraordinária fama procede, inclusive, pelo fato de que foi o responsável pela, praticamente destruição da cidade de Pompéia, bem assim, a outra cidade, Herculano - fato que ocorreu no ano de 79 d. C. - que lhe ficam próximas. A sua fama, sobretudo decorre do fato de ser dos mais perigosos vulcões do mundo.
A sua
localização facilita muito a visita, porquanto se encontra bem próximo da
cidade de Napoli e a sua estada ainda é mais curiosa pelo fato de ser um vulcão
adormecido, apenas, não extinto. É de se atentar para o caso de que a sua
última erupção ocorreu no dia 17 de março de 1944. Na realidade, é considerado
como sendo um “extravulcão”, que se
posta a 1.281 metros de altitude, com o que se manifesta como uma especial e
extraordinária atração popular turística.
A sua forma
estrutural é de um tronco-cônico, que ainda se mostra como fenômeno ativo,
conquanto mesmo adormecido. Tem uma composição especial em magma, considerando,
no entanto, uma muito alta concentração de sílica, o que o torna um tanto
viscoso. Embora as últimas erupções sejam famosas e tão conhecidas e
comentadas, a verdade é que a sua mais badalada erupção aconteceu no ano 79 d.
C., que foi quando ocorreu o soterramento de Pompéia e Herculano. As suas características
indicam de que ele tanto pode fazer ocorrer uma erupção do tipo estromboliano, como mesmo pliniano. Dois tipos diversos de
erupções vulcânicas, que variam de intensidade e características.
Estromboliano (ou estrombólico), refere-se a um estilo de erupção relativamente moderado e ritmado, que foi nomeado após o vulcão Stromboli, na Itália, com explosões cadenciadas (ejeção intermitente de material a intervalos regulares ou irregulares). Com larva fluida, bem assim emissão de cinzas, gases e fragmentos incandescentes de elevado alcance. Um tipo de vulcanismo efusivo e ligeiramente explosivo.
Pliniano é uma espécie de erupção
extremamente explosiva e violenta, assim nomeado em homenagem a Plínio, o jovem que descreveu a
catastrófica erupção do Monte VESÚVIO em 79 d.C., a qual destruiu POMPEIA
e HERCULANO. É do tipo mais estourado.
A princípio
a diferença entre os dois reside na intensidade da erupção e na viscosidade do
magma.
É possível visitá-lo,
subindo até a sua borda
Não há qualquer obstáculo para que ele seja visitado. Muito ao contrário, o que é possível fazê-lo, hoje, a pés, seguindo uma trilha que conduz até a borda da sua cratera. Mas, para isto ocorrer, é indispensável que se adquira um ingresso, ao valor de E10, que pode conseguir “on line”, ou mesmo na entrada do acesso, no Parque Nacional do Vesúvio.
Verdade que
existiu um teleférico, o qual foi utilizado por mim e Tereza, quando lá
estivemos, em 1967. Embora houvesse sido desativado desde 1944, foi recomposto.
Mas, definitivamente desinstalado em 1970.
Um pormenor
curioso é que o vulcão ainda possui uma certa “fumarola” visível, embora seja todo ele cercado por uma expressiva
população. É uma verdade de que, como consequência das suas erupções, ao longo
dos anos, a sua aparência foi objeto de curiosas alterações, com o que teve
instituída a formação da sua caldeira. E esse fenômeno ocorreu, na realidade,
ao longo de cerca de 17 mil anos. Suas erupções foram todas bastante violentas,
que lhe proporcionaram crescimento e transformações.
Foram tantas as
erupções
A sua
história nos informa de que foram muitas as suas erupções, razão pela qual,
inclusive, vem sendo considerado como um dos vulcões mais perigosos do mundo,
embora, incrivelmente, nos seus arredores estejam vivendo, ainda, mais de 3
milhões de pessoas.
Importante
que se veja o fato de, na oportunidade em que soterrou HERCULANO e POMPÉIA, ter
submetido àquele violentíssimo acidente muitos dos seus habitantes, ao
soterramento, incluindo tudo o que lhes pertencia, o que aconteceu sob mais de
seis metros de cinzas e rochas. Tudo isto foi derramado nas duas cidades ao
longo de dois dias.
Outras
erupções que são conhecidas ocorreram nos anos de 470, 512, 1631, 1906, e 1929,
além de inúmeras outras ocasiões. O que se deve observar é que, em algumas
oportunidades, alcançou tamanha violência que as suas cinzas chegaram a atingir
o incrível espaço territorial de cerca de 1.600 quilômetros. E o que deixa,
evidentemente, as pessoas em suspense é que pode voltar a ocorrer uma nova
erupção num instante totalmente imprevisto.
Um pormenor
muito interessante é que, durante a visita à sua cratera, é possível
tranquilamente desfrutar das mais impressionantes vistas das cidades que lhe
estão em torno, como Napoli.
POMPÉIA, uma cidade do Império Romano
POMPÉIA – uma trágica vítima da sanha do VESÚVIO - é uma cidade que vem do Império Romano, e que se encontra situada a, precisamente, 22 quilômetros de distância de Napoli. A antiga e importante cidade, realmente, chegou a ser destruída, porque soterrada na erupção do vulcão, precisamente no ano 79 a. C. Quando foi submetida a uma verdadeira e violenta chuva de cinzas e lama. Com o que foi, em verdade, totalmente sepultada.
A sua
ocultação sob as cinzas e lama chegou a decorrer durante nada menos de 1.600
anos, quando aconteceu ser encontrada, o que ocorreu por volta de 1.748. No
entanto, cinzas e lama proporcionaram proteção às construções e os tantos
objetos por conta dos efeitos do tempo. Outro fato sobremaneira curiosíssimo,
foi que também os corpos das muitas vítimas foram conservados inteiramente
moldados. Aquele fenômeno foi que permitiu que, tantos anos após, fossem
encontrados e identificados, da mesma forma e posição como chegaram a ser
atingidos pela violenta erupção.
Foi a partir
de então que as muitas e seguidas escavações foram proporcionando a
constituição de um sítio arqueológico de valor incomensurável. É o que
possibilita que se tenha uma visão com impressionante detalhamento de uma
cidade que, em verdade, provém dos tempos da Roma Antiga. Como Herculano e Torre Anunciata, sem dúvidas que se tornaram uma das mais populares
atrações turísticas especialmente populosas da Itália, por cerca de 2.500.000
visitantes ao ano.
Histórico da importante
região
A cidade de Pompéia
foi fundada, em verdade, por volta do século VI ou VII a.C., através da
presença dos oscos, que era um povo
da Itália Central, precisamente no local onde se encontrava um curiosíssimo
entroncamento entre Cumas, Nola e Estábia.
E se observe de que apenas havia sido um porto seguro de que se utilizavam
os marinheiros gregos e fenícios. Então, os etruscos teriam capturado Pompéia,
sendo que recentes escavações evidenciaram a presença de inscrições etruscas e
uma necrópole do século VI a. C.
(Os oscos constituíram um povo
itálico da antiguidade que habitou a região de Campania, no sul da Itália. O idioma
osco pertencia ao grupo das línguas osco-úmbrias e são lembrados,
também, pela “farsa atelana”, gênero teatral popular que influenciou o teatro
romano. Os oscos eram, pois, um povo indo-europeu da Itália antiga, precursores de
cidades como Pompéia).
A primeira
oportunidade em que a cidade teria sido capturada pela colônia grega de Cremas, aliada a Siracusa, ocorreu entre os anos de 525 e 474 a. de C. Enquanto
isto, já no século V a. de C. ela chegou a ser capturada pelos SÂMNIOS, o que ocorreu, por sinal, junto
com outras cidades em torno de Campânia.
Aconteceu de
que os novos governantes insistiram em seu estilo de arquitetura, o que
resultou na ampliação da cidade. Após as Guerras Samnitas foi que Pompéia
chegou a ser forçada a se ajustar ao status de socium de Roma. Contudo, mantinha sua autonomia linguística, bem
como administrativa. Foi quando a cidade chegou a ser fortificada, o que ocorreu
no século IV a.C. Entretanto, durante a Segunda Guerra Púnica, ela permaneceu
fiel a Roma.
Vê-se, então, de que a cidade escavada
proporciona uma demonstração da vida romana no séc. I. O fórum, os banhos, ao
lado de muitas outras casas, como também algumas vilas nos seus arredores, como
é o caso da Vila dos Mistérios, conseguiram permanecer ainda muito bem preservadas.
Importante até verificar-se de que, no chão de uma daquelas casas encontra-se a
inscrição “Salve, lucru” (bem vindo,
dinheiro).
Enquanto, da
mesma sorte, que nas paredes de tantas daquelas casas ainda são exibidos
afrescos coloridos em diferentes estilos, como é o caso da Casa da Veltié, bem assim da Villa
dei Misteri, as quais conseguem retratar certas cenas mitológicas, como
também do próprio cotidiano da época. Ainda mesmo e também nas paredes dos
lupanares.
O que são encontradas
como atrações
É de se
observar de que às pessoas que visitam a cidade é possível explorar casas,
lupanares (prostíbulos), templos, lojas, padarias com pães, tudo carbonizado,
como também os banhos públicos. Deve-se ter em conta, também, de que foram
encontrados em alguns locais moldes de gesso dos corpos das vítimas, constituídos
através do preenchimento de espaços vazios que teriam sido deixados pela
decomposição das cinzas. São corpos que se encontram – às vezes - agachados,
como se protegendo contra a fúria daquele acidente. Todos impressionantemente
conservados.
Para que se
possa captar o melhor de tudo quanto se pode ver, interessante é que uma visita
decorra em cerca de duas a três horas.
Uma das
maiores atrações de toda a cidade é, também, a Casa do Fauno, que dispõe de cerca de 3.000 m2 e teve a sua
construção no século II a.C. Toda ela está decorada em mosaicos de mármore, bem
assim com colunas de capitéis, a qual teria sido a residência de uma família
abastada.
Outra importante atração é o Teatro Grande, um anfiteatro em estilo grego com ocupação para cerca de 5.000 espectadores e destinado a uma variedade de espetáculos. Com a mesma importância é o Templo de Apolo, que constitui um dos mais famosos edifícios de Pompéia e que fica localizado no Fórum. Por sinal, ele foi um dos primeiros templos da cidade. Um outro espaço é o, também, Templo de Jupter, que possui uma majestosa estrutura e que proporciona aos visitantes uma deslumbrante vista do Vesúvio, que lhe está próximo, pois. Já a Vila dos Mistérios, trata-se de um edifício do século II a.C. cuja novidade é o fato de abrigar um dos maiores e mais bem preservados afrescos da cidade. Enquanto a Basílica vem a ser o mais importante edifício da localidade, que está constituído em 1.500 m² de extensão. No entanto não é usado para atividades religiosas, mas sim para as questões jurídicas. É a história que também revela ter sido construído no século I a.C. o Templo de Vênus, o qual, evidentemente, é dedicado à deusa Vênus.









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